No varal da casa localizada no alto do morro do bairro Das Nações, em Concórdia, no Oeste de Santa Catarina, as roupas de Roseli Fátima Stoll, de 38 anos, ainda aguardam para serem recolhidas. Sete dias já se aram desde que a auxiliar de cozinha saiu para trabalhar e nunca mais voltou.

Nesta quarta-feira (8), o ex-namorado de Roseli confessou à polícia que a matou asfixiada com uma cinta e jogou o corpo amarrado a uma pedra no meio do lago de uma usina hidrelétrica, no interior de Alto Bela Vista, na mesma região. Ciúmes, brigas e abuso psicológico marcaram os últimos meses da vida de Roseli, que até hoje segue desaparecida.
Uma mulher trabalhadora, séria e sem vícios. Assim a família e os amigos a descrevem. Segundo a irmã da vítima, Grasieli Stoll, Roseli era uma pessoa feliz e levava uma vida calma até conhecer o ex-namorado, em junho deste ano. “Eles se conheceram através da internet. Foi tudo muito rápido. Os dois estavam juntos há uma semana e ele já veio com uma aliança de noivado”, contou a irmã em uma entrevista exclusiva ao ND+.
No início, de acordo com Grasieli, o ex-companheiro demonstrava ser uma pessoa calma. Em questão de meses, ele teria se transformado em um homem possessivo e agressivo. “Uma pessoa obcecada, doente de ciúmes, vigiava todos os os dela, ia ao restaurante onde ela trabalhava brigar com ela e com a patroa dela. Queria quebrar tudo. Não era amor, era obsessão”, lamentou.
Roseli, mãe de três filhos, teria sido proibida até mesmo de manter contato com a família. “Ele tinha ciúmes de tudo, até da família. Ele havia proibido ela até de falar com os filhos. Ele pegava o telefone dela e bloqueava até as próprias irmãs. Ele era autoritário, queria mandar até no telefone dela”, relatou Grasieli.

Pedido de socorro 1i1d2o
Há cerca de um mês, Roseli esteve na casa de Grasieli, que vive em Erechim, no Rio Grande do Sul. A irmã contou ao ND+ que a vítima teria relatado os abusos naquele dia. “Na noite anterior aquele dia, cerca de um mês atrás, ele havia arrombado a casa dela e entrado pela janela. Quando ela chegou do trabalho, ele estava com um facão escondido atrás da porta”, afirmou.
Naquela noite, o ex-namorado teria usado o facão para ameaçar a vítima a noite toda. “Ele dormiu a noite inteira com aquela faca ao lado dela, ameaçando ela de matar, picar o corpo dela e jogar no rio, mas ela pensou que ele não ia fazer isso pelo fato de ele ter uma filha e de ela ter os filhos dela também”, disse.
No dia seguinte, Roseli registrou um boletim de ocorrência por perturbação, mas retirou dias depois. “Ela estava com um corte enorme atrás da cabeça. Só retirou a queixa porque estava sendo ameaçada por ele”, acrescentou a irmã.
A aposentada Liria Dutra, vizinha de Roseli, relatou que a vítima havia, inclusive, visitado sua casa para pedir as imagens da câmera de segurança antes de registrar o boletim de ocorrência. “Ela não deu muitos detalhes, mas disse que ele havia arrombado a sua casa e pediu as imagens. Eu a aconselhei, mas preferi não me meter muito na relação deles”, contou.
Liria disse ainda que, embora Roseli fosse muito simpática, de alguns meses para cá, ela havia parado de cumprimentar os vizinhos. “Ele não deixava ela nem cumprimentar os vizinhos, mas nunca vimos nenhuma agressão”, disse.

Desaparecimento de Roseli 3tt6y
Roseli foi vista pela última vez no restaurante em que trabalhava, logo após o fim do expediente, por volta das 19h40 de quinta-feira (2). No sábado (4), a patroa da vítima contatou os familiares, que registraram um Boletim de Ocorrência na segunda-feira (6).
“A chefe dela comunicou a família que fazia 48 horas que ele não ia trabalhar, aí meu irmão que é de Seara foi a Concórdia fazer um Boletim de Ocorrência e começaram as buscas a partir de sábado”, contou a irmã da vítima.
Grasieli tentou contatar o ex-namorado, mas não foi atendida. Um amigo do acusado teria conseguido falar com ele e reado um recado à família. “Ele disse que estava fazendo uma viagem muito longa com a Roseli e que não sabia quando iria voltar e nem se ela iria voltar viva”, relatou a irmã.

Confissão do crime 4g6by
A confissão do crime à polícia ocorreu após a prisão do suspeito de 34 anos, por volta das 22h de terça-feira (7), em Antônio Prado (RS), a cerca de 270 km de Alto Bela Vista. O homem fugia em um Renault/Logan e tentou escapar de uma abordagem da Brigada Militar do Rio Grande do Sul na rodovia RS-122, mas mesmo assim acabou preso.

“Após quase 18 km de acompanhamento, conseguimos a abordagem do suspeito. Iniciamos os questionamentos, com base nas informações já readas, e notamos um nervosismo ao ser questionado sobre o paradeiro de sua ex-companheira”, explicou o 36º Batalhão de Polícia Militar em nota.
O homem tentou fugir a pé por uma região de mata fechada e de difícil o, contudo os policiais conseguiram captura-lo novamente. “Ele ofereceu resistência, mesmo imobilizado no chão, evitando entregar as mãos para o uso das algemas”, detalhou a polícia gaúcha.
O carro foi apreendido e ou por perícia com luminol, utilizado em perícias criminais de modo a identificar sangue no local do crime. O suspeito teve a prisão preventiva decretada e foi transferido para o Presídio Regional de Concórdia.
Feitiço teria motivado o crime 262h1u
De acordo com o delegado Alvaro Weinert Optiz, responsável pela investigação, o acusado disse à polícia que a motivação do crime seria um feitiço, realizada pela irmã da vítima.
“Ele confessou o crime, disse que teria asfixiado ela com uma cinta na manhã de sexta-feira, no dia 3. Disse que tinha desentendimentos com a família dela e que, em razão desses desentendimentos, o crime teria acontecido. Ele disse que a irmã da vítima teria feito uma ‘macumba’ contra ele e que a motivação seria essa”, contou ao ND+.
O delegado também disse que o acusado não demonstrou arrependimentos e que ele relatou sofrer de epilepsia e estava sem medicação no momento do crime. A informação em relação ao distúrbio também foi citada por Grasieli, irmã da vítima.
Corpo segue desaparecido 1h2d6f
Quatro bombeiros militares da corporação de Piratuba, incluindo dois mergulhadores, iniciaram as buscas no rio Uruguai, nesta quarta-feira (8), a cerca de 10 km de distância do Centro de Alto Bela Vista, na comunidade de Entre Rios. Um bote inflável e o Grupamento Voluntário de Busca e Resgate com Cães ajudam na varredura no local, às margens da SC-469. O local onde as buscas estão sendo realizadas tem de 20 a 40 metros de profundidade.

Sentimento de revolta 38545k
Ao ND+, a irmã de Roseli disse que o sentimento é de ódio e revolta. “A gente pede por justiça, porque a minha irmã não vai mais voltar para casa. Trinta anos de cadeia é muito pouco para ele, porque a vida da minha irmã foi perdida para sempre. Ela não vai mais voltar. [Desejo] que no mínimo ele apodreça atrás das grades pelo resto da vida”, finalizou.